23/07/06

Despertar da morte

Não era simples se a morte
Afinal fosse mais que o fim
De um rasgo princípio
Que julga mesmo assim
O tempo que deixou viver

Mas dos pêlos da lagarta
Pendem agora as protuberâncias
Será que amanhã voarão?
Livre do peso das lembranças
De quando foram crianças

Enfermos no casulo
Hoje de seda
Amanhã madeira
Irrompem asas esforçadas
As patas cravam no defunto
Esquecido algures no fundo

Na terra a incólume inocência
Brotam as lágrimas do farol
Que à frente fizeram mar
Ainda antes de poder voar

Ingénua principiante
Apetecível borboleta
Que nasceste na morgue
Esquecida da vida
-Aprende a voar
Amanhã pousarás
Na efémera cruz de pau
Que hoje te marcou a morte

5 comentários:

Noctívaga disse...

Primeiro que tudo parabéns pelo blog
Agora um título

Metamorfose da morte

Continua a escrever

Surfista prateado disse...

Golden Girls

Lightfoot disse...

Bom, vou "arriscar" mais uma vez,

Despertar da morte

Fico á espera do próximo desafio.

Nuno René disse...

Foi sobre a discussão entre "Metamorfose" e "Despertar" que me debrucei para poder escolher um título para este poema.
No fim, achei que despertar é mais vinculativo, diário e presente, sendo uma metamorfose apenas uma transicção.
Obrigado a todas as propostas. Espero que continuem.

Título escolhido:

"Despertar da Morte"

Nuno René disse...

Até agora forma lançados apenas dois desafios pelo que os títulos aceites até agora foram:

Dália Negra - "Antes de morrer, todos suspiram";

Lighfoot - "Despertar da Morte".