Estás feio
magro
doente
e sujo
Do pó dos teus livros
Da cinza dos fiéis cigarros
Da fuligem dos que te enganam
-Desculpa!
Dos que te amam…
Dos abraços de outrora
Fazes foice nas tuas pernas
E dos olhares de soslaio…
A leve pena que te assusta
Agora martelo que te custa
De seres memória no fumo que expiras
É melhor fecharmos o livro
Sem marcador nem vinco na página
Talvez o leias mais tarde
Quando o corpo, a alma e o medo
Deixarem de sofrer contigo
Acho que quero morrer
Mas não completamente só
Sozinho serei fascista do tempo
E dói!
Dói tanto como doeu ontem
quando me estatelei no chão
e na terra onde nasci
nada me acolheu senão a dor
A minha admirável dor…
de estar só
de ser apenas eu
e esta maldita morte
que não me larga o pensamento
que um dia quis ser livre.
19/06/06
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É verdade que entre a vida e a morte existe um espaço quase virgem. Nesse pedaço de nada, apenas cabe uma folha de papel de arroz...se não estiver escrita.
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