Era maior
simplesmente maior e melhor
do que qualquer outro transeunte
até mesmo do que a fama
de ser maior e melhor
num passado que ainda sonha
A simplicidade eterniza os insectos
talvez os mais pequenos
esqueçam a ignorância
de ser quase nada
Na pureza das nuvens
não se ouvem indecorosas palavras
terá que andar curvo este coelho?
para ouvir o nervoso bater das asas
dos demais vermes que rastejam
aos pés da vergonha de ser pequeno
Curvo, velho ou apenas com medo
de afinal ser lagarta
numa fruta já podre
de há tanto tempo estar no chão
A vaidade adormece lentamente
o corpo já não saltita nos campos
agora rasteja nas pétalas
da frustração de ser lagarta
…vagarosamente o dia acorda a metamorfose
de uma saudosa borboleta
a quem lhe cresceram orelhas de coelho
só me restam efémeras dúvidas
se serás suficientemente grande para isso…
04/03/06
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É verdade que entre a vida e a morte existe um espaço quase virgem. Nesse pedaço de nada, apenas cabe uma folha de papel de arroz...se não estiver escrita.
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