Depois de olhar de soslaio para um vidro espelhado com o intuito de avaliar a minha aparência naquele instante, vi que tinha herdado inexplicavelmente uma mala de senhora. Sim, sim... uma pura mala de senhora mesmo no momento em que avaliava o meu aspecto numa rua incrivelmente movimentada.
E agora? o que é que eu faço a isto?
- A tiracolo nem pensar!
- Com a mão a pegar nas asas deixando a mala deambular ao sabor do andar, muito menos...
- Colocá-la por baixo da T-shirt neste dia tão quente...nãaa
- Colocar as asas pela cabeça, segurando a mala pelo pescoço.Era uma hipótese, porque daria certamente a ideia de que aquele objecto não me pertenceria de forma alguma, mas do ponto de vista da demência não é a melhor solução.
- Afinal o que eu faço a isto?
Nesse dia não fiz nada...Esperei com a mala de senhora junto a mim, tal como o dono de um cão espera que ele descarregue na árvore mais próxima.
Ainda hoje espero que esta mala de senhora se despache a mijar e vá para junto da dona.
É verdade que entre a vida e a morte existe um espaço quase virgem. Nesse pedaço de nada, apenas cabe uma folha de papel de arroz...se não estiver escrita.
1 comentários:
Fica-te muito bem, este estilo... Verdade, com ou sem mala, és o maior!
e nem por isso ficas menos macho... eheeheeheeh....
Brutals
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