- Traz-me o código Da Vinci – disse a mãe de Álvaro, arfando a urgência da posse.
À porta de casa, Álvaro tinha o metro, transporte público que ele sempre usava qualquer que fosse o seu destino. E fazia-o sempre da mesma forma. Dirigia-se para a estação de metro do parque, aí saía e só depois escolhia a melhor forma para chegar ao local pretendido, mesmo que isso significasse voltar para trás. Adorava a estação de metro do parque. Lá sentia-se como se fosse as maravilhas do país da Alice. E sentia-se assim até começar a subir as escadas rolantes, onde inspirava profundamente e não respirava até chegar lá acima. A três quartos da subida, já quase sem fôlego e com a vista turva, lia sempre a mesma frase em luzes quase néon – “é preciso um grande caos interior para poder parir uma estrela que dança”. Nesse preciso momento sentia-se Deus, porque achava que nada lhe faltava para parir uma estrela. O facto de dançar não era assim tão relevante.
Para Álvaro a feira do livro de Lisboa, sempre foi um evento que justificou plenamente aquela atracção desmedida pela estação de metro do parque. Embora ele tivesse o hábito da leitura, aquela viagem não era mais do que uma desculpa para se sentir uma pessoa com destinos traçados, pelo menos durante os dias de duração da feira.
Nesse dia algumas luzes estavam fundidas e aquando da escalada-vertiginosa-rolante-sem-fôlego apenas se via “poder parir uma estrela que dança”. A expiração repentina revelou o desespero de um homem que descobre que afinal não é Deus. Porque afinal de contas, parir uma estrela que dança é uma coisa normal para qualquer dos mortais.
Na primeira editora comprou o código Da Vinci para que a mãe o pudesse mostrar às suas amigas. Claro que ela não o ia ler. Tinha um saco suficientemente transparente, onde punha o livro e passeava este binómio saco-livro pelo bairro. Muito culta a mãe do Álvaro!
Mas era uma profissional. Todos os dias avançava o marcador do livro umas setenta páginas, e decorava umas frases ao acaso e declamava-as na hora do café. Um trabalho bem feito deve sempre ser elogiado!!!
Álvaro queria regressar a casa, mas jamais o faria pela estação do parque, enquanto não arranjassem aquelas malditas luzes fundidas, que o tornavam no mais banal dos Homens. Como se regressa a casa de outra forma, quando toda a vida o fizemos pelo mesmo caminho?
À porta de casa, Álvaro tinha o metro, transporte público que ele sempre usava qualquer que fosse o seu destino. E fazia-o sempre da mesma forma. Dirigia-se para a estação de metro do parque, aí saía e só depois escolhia a melhor forma para chegar ao local pretendido, mesmo que isso significasse voltar para trás. Adorava a estação de metro do parque. Lá sentia-se como se fosse as maravilhas do país da Alice. E sentia-se assim até começar a subir as escadas rolantes, onde inspirava profundamente e não respirava até chegar lá acima. A três quartos da subida, já quase sem fôlego e com a vista turva, lia sempre a mesma frase em luzes quase néon – “é preciso um grande caos interior para poder parir uma estrela que dança”. Nesse preciso momento sentia-se Deus, porque achava que nada lhe faltava para parir uma estrela. O facto de dançar não era assim tão relevante.
Para Álvaro a feira do livro de Lisboa, sempre foi um evento que justificou plenamente aquela atracção desmedida pela estação de metro do parque. Embora ele tivesse o hábito da leitura, aquela viagem não era mais do que uma desculpa para se sentir uma pessoa com destinos traçados, pelo menos durante os dias de duração da feira.
Nesse dia algumas luzes estavam fundidas e aquando da escalada-vertiginosa-rolante-sem-fôlego apenas se via “poder parir uma estrela que dança”. A expiração repentina revelou o desespero de um homem que descobre que afinal não é Deus. Porque afinal de contas, parir uma estrela que dança é uma coisa normal para qualquer dos mortais.
Na primeira editora comprou o código Da Vinci para que a mãe o pudesse mostrar às suas amigas. Claro que ela não o ia ler. Tinha um saco suficientemente transparente, onde punha o livro e passeava este binómio saco-livro pelo bairro. Muito culta a mãe do Álvaro!
Mas era uma profissional. Todos os dias avançava o marcador do livro umas setenta páginas, e decorava umas frases ao acaso e declamava-as na hora do café. Um trabalho bem feito deve sempre ser elogiado!!!
Álvaro queria regressar a casa, mas jamais o faria pela estação do parque, enquanto não arranjassem aquelas malditas luzes fundidas, que o tornavam no mais banal dos Homens. Como se regressa a casa de outra forma, quando toda a vida o fizemos pelo mesmo caminho?
É verdade que entre a vida e a morte existe um espaço quase virgem. Nesse pedaço de nada, apenas cabe uma folha de papel de arroz...se não estiver escrita.
1 comentários:
Os meus parabens pelo blog, está "Brutals"! Continua o excelente trabalho.
Fico á espera da parte II
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