Poetas que voam
fazem-no a meia altura
acima do horizonte
é que por baixo
ventos de amodorradas vergonhas
dilaceram-lhe as asas
amam como voam
apenas com meia paixão
a outra metade
imunem-na no coração dos outros
e adoram voar baixinho
Sublimes no sofrimento
voadores de sonhos perfilados
guardam metade do coração
para dias de chuva intensa
com as asas inundadas de solidão
sufocam ao ouvir falar de amor
A meia altura
não se guardam segredos
e os sorrisos
coalescem-se nas asas das únicas gaivotas
que convalescem no ninho
Se as asas
deixassem voar mais alto
então metade da vida
seria a meio caminho
...a outra metade
continuaria ainda perdida
nas meias asas
de uma gaivota à deriva
09/06/05
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É verdade que entre a vida e a morte existe um espaço quase virgem. Nesse pedaço de nada, apenas cabe uma folha de papel de arroz...se não estiver escrita.
3 comentários:
Não li já este poema num jornal? Já foi publicado?
Já.Saiu no DN Jovem há algum tempo, quando eu ainda tinha 27 anos. Foi por isso mesmo que o decidi colocar no blog.
Quando tinhas 27 já te conhecia e é incrível como nunca suspeitei desta tua veia poética (e não só). Foi uma grande alegria descobrir-te mais esta grande qualidade.
Espero vir a ver mais alguns publicados, mas em livro.
Cumprimentos
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